A audiência pública em SP

Vocês devem estar acompanhando em alguns sites a estupidez que foi a Audiência Pública em São Paulo, na sexta passada (24). Alguns defensores da vida deram seus depoimentos e vocês não podem deixar de ler, se quiserem saber o show de horrores que foi:

Quem defenderá o indefeso?

Uma brilhante audiência pública em defesa da vida!

Leitora conta sua experiência na audiência pública que debateu o aborto

Audiência: ouvir o grito silencioso?

Uma carta esclarecedora

A única coisa que posso fazer é complementar falando sobre algo que não me sai da cabeça.

As falas das feministas intercalaram-se com as de grupos contra a impunidade. Grupos formados por familiares de vítimas de violência de diversos tipos. Entre eles, Keiko Ota, a mãe do menino Ives, brutalmente assassinado em um sequestro aos 8 anos de idade.

Não dá para deixar de pensar: inúmeras pessoas naquela sala nunca mais poderão ver pessoas queridas e fariam de tudo para as terem de volta. Precisam conviver com a dor diária da ausência e das lembranças terríveis do que aconteceu. Acordam todas as manhãs desejando que tudo não passe de um pesadelo. Vão dormir frustradas sabendo que os assassinos de seus filhos ou estão soltos, ou cumpriram uma pena ínfima.

Na mesmíssima sala, um grupo ensandecido de mulheres defende o que aquelas famílias querem todo dia esquecer: o assassinato de um inocente. Tantas mães querendo seus filhos de volta, e tanta gente lutando para que outras matem sua própria prole. Todos ali, respirando o mesmo ar.

Fiquei pensando se, no meio daquela loucura, isso passou pela cabeça de alguma mãe cujo filho morreu vítima da violência. Se uma daquelas mães não sentiu o mínimo de revolta por ver que outras mulheres, se fossem mães, dariam cabo da vida de seus filhos. Nunca terei essa resposta.

A única coisa que sei é que, de um lado, estava um grupo em defesa do assassinato, e de outro, um grupo lutando para dar um fim nisso. E que as feministas podem até perceber, mas jamais admitirão a incoerência e o absurdo da situação.

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Publicado em 01/03/2012, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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